24 de junho de 2008

o homem-órgão



estou orgulhoso do meu primeiro trabalho no paint, viu yuri. digamos que foi bastante divertido fazer esta tirinha que é a coisa mais aleatória do mundo, então não esperem motivos. eu gostei.

22 de junho de 2008

o dilema da existência

o mais curioso das tirinhas do homem-sem-pinto é a reação das pessoas. até agora vi quem gostasse, achasse engraçadíssimo e mesmo ficasse totalmente sem graça.algumas me disseram que acharam o tema desnecessário. desnecessário? não sei, mas se alguma coisa causa reações adversas desta forma, talvez toque num assunto muito longe de se considerar esclarecido.

apresentação

entende-se pelo título:
entrada com música:
taaaaaadáaaaaaa táaaaa-dáaaaaa oooooo hóooooomeeeeem seeeeeeeeeeeeeeeeem piiiiiiiiiintôooooooooo ! paaaaaaam pararaaaaaaaaaam! tcham!

21 de junho de 2008

idéia de girico

porque num final de semana de maio, já há um bom tempo agora, fizemos eu mais meu irmão e primo, um balanço daqueles de pendurar em árvores, negócio bem precário e por isso mesmo perspectiva ilimitada de diversão. sempre, quanto mais errada uma coisa pode ser, sabemos que pendurar coisas noutras, fazer serviço de amador e ainda por cima chamar os outros a testar só pode dar em merda. bem, até então nenhum motivo forte o suficiente para nos fazer desistir da nossa empreitada pelo balanço, muito menos a barra de ferro ponteaguda de três quilos rodopiando amarrada numa corda que três incompetentes tentavam lançar por cima de uma galho a uns dez metros de altura, sem falar nas criancinhas, nossos primos retardados que logicamente, quanto mais perigosa e infeliz nossa idéia parecia ficar, mais perto eles insistiam em correr. infelizmente ninguém morreu. jogávamos a barra, na verdade eu jogava, pois na mão dos outros dois, principalmente do marcinho, o treco se tornaria um trator desgovernado da morte, e depois corríamos longe de onde ela pudesse cair. bom, desta forma não fomos felizes, então, claro, acho que nenhuma outra pessoa acharia um instrumento mais estapafúrdio e bizarro que o trazido pelo marcinho nesta hora, tratava-se de um bambu de uns 9 metros (nove para enfatizar que era um pouco menor que a altura que queríamos passar a corda), que só conseguíamos (vejam bem, conseguir é um termo um pouco otimista demais) operar em três ao mesmo tempo. colocamos a barra espetada na ponta e atirávamo-la por cima do galho, numa sequência que devia lembrar mais um ritual de acasalamento vegetal aleatório, mas de qualquer forma, estávamos mais próximos do sucesso do que poderíamos imaginar com aquele pinto de macaco gigante, quando, mais ou menos na vigésima tentativa a barra se desprendeu do galho e caiu exatamente no meio do bambu, que logicamente se partiu. fim de papo. mas, ai que entra a ironia, pois deus deve ter achado que nos fazendo desistir perderia sua diversão neste pacato domingo de maio, e fez com que conseguíssemos lançar a corda por cima do galho na tentativa seguinte, à mão livre, genial, parecia mentira. balanço feito, brincamos até cansar, e até a minha avó tentou. o resto está desenhado na tirinha, trocando o sexo para não denunciar ninguém.

18 de junho de 2008

and god created the universe



comparem a discrepância entre as imagens que a mairinha maidesigner tratou para mim e a minha montagem eletrolítica meia boca de um incopetente qualquer. foi uma verdadeira virtuose fazer este tratamento miraculoso, mas ficou ótimo, tenho até vergonha da minha ingnorança photoposholística. mas voltando a tirinha, eu comecei a gostar mais dela neste meio tempo.

17 de junho de 2008

impressionante

http://www.dothetest.co.uk

esta é para os iniciados. assustador.
e para aqueles que acreditam na causa.

16 de junho de 2008

13 de junho de 2008

o judeu errante

hoje vi o judeu errante atravessando a rua como quem nunca em sua vida acreditou num automóvel, com as barbas e o cabelo indiferenciáveis entre si, absolutamente brancos, trazia na cara a despreocupação e o descaso de alguém que nunca morre, porque desde que mandou que cristo caído saísse da frente de sua sapataria vem esperando pela volta do enviado celeste, e agora fica por ai, vagando qual zumbi datado. eu já vi um zumbi, e este não o era sem sombra de dúvida. cruzou a rua bem na minha frente, os passos firmes e enormes, naquela dureza de quem já andou demais por lugares que hoje não importam e que em nossa existência já deixaram de ser lugares, porque uma coisa precisa deixar de ser ela mesma para ser outra depois de um tempo, afinal, isso é justamente tempo. usava a camisa branca de um defunto, engomada por seu próprio suor, já ficando meio transparente por sobre a calça daquele tecido cinza que só as calças dos muito velhos ainda podem ser, ora cobrindo ora descobrindo alternadamente os sapatos pretos engraxadíssimos, enquanto de tão velho a todos deslocou a pequena chama da vela interior na corrida inesperada. virei a esquina e vim parar em casa, não a minha casa, mas a casa do montanha, que não deixa de ser uma casa mas é também um escritório. os pneus da minha bicicleta estavam ainda quentes, não passara muito desde o estampido seco do portão quando, num aparecimento mentalmente anunciado, vejo por entre as barras o judeu errando. trazia consigo uma lata de cerveja azul que atestava seu saber das coisas da vida, pois não são todos que não podem morrer. da mesma forma como esperava vê-lo ali, depois de tê-lo visto cruzar a rua de supetão e tê-lo trazido comigo em meus pensamentos, entendi que logo ele não mais estaria. passou de um lado a outro do portão enquanto eu só pude vê-lo por entre as barrias quadradas, judeu, barra, judeu, barra, até chegar ao ponto onde aparecera. na expressão a pressa de quem não tem aonde ir e por isso mesmo está com pressa, mas em seus olhos aquele apego de velhinho às casualidades que nem são mesmo casualidades. porque nada na vida é por acaso mas por fim. do judeu errante tive minha parte, vi alguém que não morre, mas que é velho para sempre. deixou em mim esta pitada de desespero que deseja não morrer, só por um tempo, a saber como seria, mas também o desterro de se ver sempre atravessando ruas por ai. minto. somos nós que atravessamos sua existência linear. e como as ruas não são lugares, são caminhos vazios, tão logo deixei meu lugar e saí para meu almoço, topei com esta marca da existência: a lata de cerveja deixada sobre o pequeno poste inclinado, daqueles espetados para não se subir na guia. passo por ali todos os dias, e nunca o havia notado, lembra-me das portas de pedra.

11 de junho de 2008

do achado e do perdido

semana passada, desembesto pela sumaré íamos eu e minha azul-magrela tentando esquecer os traumas da semana anterior, que me deixara as bolinhas do rolamento traseiro a pular por ai e o pneu mais murcho que os espetinhos que ficaram seis meses guardados na passagem secreta do estúdio 1 em 2003 e depois foram postos a venda na mesinha como bem-passados. de qualquer forma, no mesmo local de minhas desgraças topei com a desgraça dos outros largada neste buraco negro de sorte. porque existe um lugar, aprendi quando pequeno, no reino-perdido-do-beleléu que é para onde as coisas vão quando não estão em nenhum lugar, e tenho certeza que esta só pode ser uma de suas entradas pois tudo o que vejo na rua parece estar neste lugar.

e lá estava, esperando meus olhos distraídos se baterem com alguma pedra largada na zebracross poeirenta, um achado que devia estar perdido há apenas muito pouco; estatelado no fundo do poço de sua dignidade, um aparelho telefônico celular da era moderna jazia emborcado na sarjeta dos destroços, posto de lado por famoso leito carroçável que insistimos em chamar de rua já que a guia de hoje só serve para conduzir o suco cancerígeno que vaza dos carros para o reservatório de chorume que é o rio, esperando que um dia seja isso que nos dê dinheiro e dignidade em nossa condição de super-terceiro-mundistas.

bem, mas lá estava o tal do celular, de superfícies impecáveis absolutamente dispensáveis, porque não são os detalhes que vemos nestas horas, e sim a imagem maior de um destroço qualquer com forma de telefone caído pelo caminho. de nada adianta seu modelo, cor, preço, acabamento de strass com polimento glitter de centelha luminosa de peixe perolizado e o caralho, estava lá, sozinho, ralado, avariado como uma carcaça qualquer, largada nestas condições que só acontecem quando não estamos vendo porque visto, só nos resta o horror de topar com este bem de tão alta estirpe misturado àqueles pedaços de pneu de caminhão que foram e voltaram da bahia mais vezes do que gostaríamos de saber e parachoques de gol meio desbotados, com elásticos de prender escapamento e qualquer coisa absurdamente suja, tanto que temos até esta palavra especial para designá-lo: imundice. acho isso engraçado, não interessava que modelo era, se era bom ou ruim, novo ou velho, não me interessou por isso, interessou-me o reconhecer de um telefone em sua forma mais original, o que significava inclusive a minha surpresa de encontrá-lo num local tão impróprio. bem, lá estava o bendito celular e minha dúvida de parar ou não para pegá-lo, pois tempos atrás achei dois reais na mesma sarjeta e pensei que poderia ser estranho me tornar o mais novo bike-catator da paróquia, embora tenha parado para acudi-lo. era mais chique do que eu esperava, daqueles nextel reluzentes, que eu peguei e enfiei pelo alforge da minha bicicleta porque não fazia idéia do que fazer com ele. tanto que esqueci.

quando cheguei no montanha, ouvi um barulho estranho, uma musiquinha bizarra, qualquer uma que não fosse a do meu celular, mas só lembrei do maldito depois de colocar a mão para dentro da sacola a fim de procurar minhas chaves, que são a verdadeira materialização do velcro, não saem do seu lugar a não ser com mais jeito do que estamos dispostos a dar nestas horas. atendi, o cara perguntou quem era, é o danilo, achei seu celular na sumaré, deus te abençoe! me disse, onde está que passo ai para buscar. te encontro no sesc pompéia, porque era para lá que eu estava indo depois de dar aquela alongada e trocar da roupa de guerra para a de negócios, afinal, sou um businnessman, preciso de 10 minutos, claro, já vou pra lá, estarei de capacete amarelo e calça camuflada. que ótimo pensei, nunca achei que fosse tão rápido assim, porque na hora em que decidi pegar o aparelho no chão não me tinha passado pela cabeça que ele pudesse funcionar e mais, que alguém estivesse de fato atrás dele tão logo. parece meio idiota, mas acho que por tê-lo achado assim tão desgarrado não me pareceu que fosse de alguém, mas nada me pareceu tão lógico.

no caminho para o sesc, fui tentando imaginar esta figura de um motoboy gago, ah, esqueci de mencionar que o cara era gago, e me ligou várias vezes nestes 10 minutos para ter certeza de que eu estava indo mesmo, vou sim, pensei, já não disse que ia? vestido com um destes casacões-pretos-esconde-tudo, meio sem naipe e tal. note aqui que não se trata de preconceito algum, eu estou no mesmo barco que os caras quando se trata de transporte e me visto muito mais mendigamente do que eles. imaginava-o mais ou menos nos conformes motobolísticos, meio baixo, alternando do magrelo ao gordito, com aquele bagageirinho atrás da moto meio velhusca, e óculos de sol meio duvidosos, este tipo de coisa, se ele teria a barba mal ou bem feita, aquela cara de bandido ou aliviadoramente amigável, enfim, coisas que pensamos quando estamos prestes a encontrar alguém que não conhecemos.

eis que chego ao sesc. de calça camuflada e capacete amarelo só vejo uma pessoa; um cara de dois metros de altura, bombado à la american chopper, com uma camiseta extra G coladinha no peitoral de halterofilista, absolutamente tatuado, os dois braços inteiros, cabeça raspada meio skinhead. mas o cara estava sorrindo loucamente, afinal, o celular que depois ele me diria valer 2500 reais estava de volta na mão dele. ele ainda tentou me pagar uma cerveja, uma coca-cola, me disse, mas recusei dizendo que nós dois estávamos no mesmo barco, e que esperava que fizessem isso por mim, coisa simples. o cara era adestrador de cães, sabe como é, anda por ai de casa em casa pegando os cachorros e amestrando. curioso foi pensar que este mesmo cara poderia ser o maior pesadelo de alguém por ai, mal-humorado, mais fodido do que nunca porque além de tudo teria que pagar mais a grana da merda do nextel. é capaz de eu ter evitado uns assassinatos este dia.

8 de junho de 2008

Pode acontecer

ainda não aconteceu, mas toda a vez que eu passo este treco na minha cara, é o que parece que está acontecendo.