29 de setembro de 2008

eu solto o ar no fim do dia

'eu solto o ar, no fim do dia, perdi a vida'
eu ainda ouço reverberar na minha cabeça este pequeno desespero corriqueiro que é grande porque vem em discretas doses homeopáticas.

dia após dia

eu quero o amor
da flor de cactus,
ela não quis.
eu dei-lhe a flor
de minha vida,
vivo agitado.
eu já não sei se sei
de tudo ou quase tudo
eu só sei de mim, de nós,
de todo mundo.
eu vivo preso à sua senha,
sou enganado,
eu solto o ar no fim do dia,
perdi a vida.
eu já não sei se sei
de nada ou quase nada,
eu só sei de mim, só sei
de mim, só sei de mim.
o patrão nosso de cada dia,
dia após dia
o patrão nosso de cada dia,
dia após dia
o patrão nosso de cada dia,
dia após dia
o patrão nosso de cada dia.

'o patrão nosso de cada dia'
secos & molhados, lindamente.

tal qual minha presença em minha casa,
que no lugar de ser do nascer do sol
até o morrer do sol, é do já morrido sol
até o nascer do sol, e tudo de novo e de novo.
é dia após dia.

22 de setembro de 2008

trabalho forçado

feita ao som de 'into the wild', trilha sonora de eddie vedder para o filme de mesmo nome, me fazendo vencer preconceitos. ainda não gosto de pearl jam, mas mesmo assim, o cara é foda. bem, de qualquer jeito, fiquei bastante satisfeito com este trabalho que fiz para a fau, foi uma maldita proposta de um professor nosso que encheu demais o saco e a paciência de todo mundo acabando com tudo e com todos. não posso culpá-lo de todo, foi o responsável pela introdução do nanquin nas minhas coisas.

19 de setembro de 2008

lifebar

eu fiquei pensando nos efeitos colaterais de se ter um 'gráfico contínuo e auto-atualizável da quantidade de vida ainda disponível', também conhecido por 'lifebar' para os que alguma vez já jogaram videogame. o efeito seria indubitavelmente catastrófico. um deus espirituoso e é a forma de demonstrar a inexplicabilidade destas atitudes tão bestas que pensamos mas não temos como fazer.

10 de setembro de 2008

concurso fnac

este desenho eu fiz para o concurso FNAC de novos talentos. eu já tinha alguma prática com tirinhas, que são muito curtas, e mesmo assim já exigem um bocado de tato para saber como conduzir seu andamento e principalmente o momento de terminá-la. para este concurso, porém, deveríamos fazer uma história relacionada ao tema 'infinita diversidade em infinitas combinações', organizada na forma de HQ, com apenas uma página A4. com isso eu descobri o quanto é difícil elaborar um roteiro. mais, elaborá-lo pensando no que se quer dizer, como dizer, por quê dizê-lo, com que objetivo fazê-lo, e tudo isso ainda amarrado por um tema xumbrega, sem contar a parte de torná-lo desenhável e agradável, pois eu garanto que não posso desenhar tudo o que gostaria. sinto que a composição ficou bacana, os desenhos também, mas o roteiro nem de longe se constituiu como coisa amarrada e muito menos clara. tenho medo de não ter sido claro o bastante e por isso mesmo ter fugido do tema. não importa muito, na verdade, foi um exercício bastante construtivo, foi a primeira vez que peguei isso nas mãos, figurativamente falando, e ainda percebi como é fácil recair em nossos lugares comuns. minha idéia era falar de diversidade através de indivíduos, das peculiaridades não necessariamente compartilhadas de cada um, que constituem a diversidade em si, afinal, é a partir delas que temos a diferença como esta coisa tão comparável entre existências diversas. recaio naquela idéia de que só estamos sozinhos até o instante anterior à percepção de estarmos 'viajando', naquele pequeno descontrole de emendar pensamentos por proximidade. mesmo sozinhas as pessoas ainda estão acompanhadas dos representantes que fazemos delas. é esta combinação entre nós e as infinitas facetas de nossos amigos palpitando em nossas ações, imaginando o que pensariam se soubessem o que fazemos nestas horas, no estar sozinho. e o curioso é que quando penso nisso, justamente, tenho a certeza de ter passado longe de concretizar isso numa história. me parecem frases suspensas, significado duvidoso.