31 de outubro de 2008

porque há dias em que cozinhamos o mau-humor em água fria até este estar encorpado o suficiente para entalar em nossa garganta e ficar com o dedo no disjuntor, pronto a botar a chave abaixo e desligar o conector cerebral que mede o tato social e a simpatia. aliás, palavra tenebrosa e proibida para aos desavisados que se derem ao direito de questionar a verdade universal e irremediável de um dia ao lado do famigerado. as pessoas não entendem que o mau-humor foi feito para afastar os inconvenientes de nós.

distúrbio de atenção

eu juro que quando imaginei esta tira ela estava engraçada. não sei se era o jeito como ela falava, a voz meio esganiçada daquelas pessoas que se têm em alta conta, o jeitão meio 'guardo o quanto sou foda para mim mesmo porque os outros não o merecem', a perspectiva de alguém que anda muito sozinho, e por isso mesmo aprendeu a rir de coisas estranhas. minha mãe e meu irmão podem comprovar este fenômeno, pois, quando foram me resgatar em paris, encontraram uma figura magricela que falava engraçado e ria de coisas aleatórias sem motivo aparente. andar sozinho nos deixa pensando esquisito. enfim, percebi o quão relativo é o senso de humor, mais, o quão intrincado este está à narratiava. neste caso, o humor é a narrativa, é a forma como a coisa se dá. no caso, não se dá. de qualquer forma, é curioso pensar que pessoas podem pensar coisas absolutamente diferentes à partir de uma mesma cena... eu provavelmente estaria pensando 'uau, então é assim que é o fígado'.

29 de outubro de 2008

pego no pulo

'só sei que não fui eu' diria o caolho no final das contas. 'pode não ter sido, mas se não foi, fica pior ainda para o seu lado... porque foi outro'. 'verdade, fui eu'.

o bicho do pau

eu tenho a certeza de que, daquelas noites infindáveis em que nos enfiamos nos buracos da labuta, no gume da navalha abrindo espaço no objetivo único e inquestionável; o fim por ele mesmo. cavando fundo demais, porém, despertamos dos desfiladeiros abissais, das congregações de irritamentos e desgraças ribombantes, o ódio irritante, o provocativo e sádico punimento, a pena por tamanho descaramento, o suplício final, no respiro final, na força final, no final do fim, no finalmente, no passo a mais, aquele que são duas teclas ao invés de uma, o ctrl+qualquer coisa que vira ctrl+duas coisas e ai ele aparece. não podemos acreditar, mas é viva e consciente a força punitiva, alguns intitularam-na 'karma', não necessariamente trabalhando ao seu lado, não necessariamente boa, mas existe a entidade inteligente dos paus no computador. ah se existe.

20 de outubro de 2008

violência gratuita

eu esqueci de postar esta tirinha no blog, ela já estava no flickr desde sexta-feira, e na verdade foi feita antes da anterior. aqui eu me senti tentado, depois de ficar a me ludibriar com a lustrozidade das nucas de meus peçonhentos inimigos pessoais. rapaz, como são tentadoras estas acumulações de carne arredondadas semi-cobertas por cabelo, é uma vontade de descer aquele sonoro pescotapa estalando em ecos pelo corredor lotado, tão delicioso que todos incoscientemente se viram para ver quem foi o autor da façanha, até alma santa perde a calma do universo espiritual se vítima de tal desaforo. deus uma vez mais desceria à terra sorridente para comemorar cada pescotapa bem dado. de qualquer forma, ultra-violence é algo inacreditavelmente bom de se desenhar, ainda que seja bastante difícil.

um vício por outro

bem, esta é para o yuri que, milagrosamente depois de ter começado a ir a pé para a aula e 'à todos os lugares', como ele gosta de dizer, começou a sentir que se ficasse sem andar dormia mal, comia menos, cagava pior, além de ficar sem o maravilhoso 'soma' tão descaradamente produzido dentro de nós mesmos. endorfina é o bicho!

7 de outubro de 2008

rotavírus

verdade, ontem acordei meio mal, fiquei enjoado o dia inteiro, ai à noite meu amigo chegou, curtimos na maior algazarra, depois foi só curtir a vida de rei, chamei o hugo e nos divertimos mais ainda. o lado bom é que passei o dia inteiro em casa, raridade.

tédio

digamos que a minha sexta-feira tenha sido longa.

Trabalho e Redenção

acabou tendo muito mais sangue do que eu imaginava ai nesta cena, a ordem ficou invertida, não sei exatamente por quê. imaginava começar com as ferramentas na esquerda, o cara sentado em frente à televisão e por fim a parede pintada com o sangue. o cérebro como oferenda. ainda assim, nada como fazer o trabalho sujo de arrancar o cérebro para assistir televisão, uma tremenda recompensa.

o medo da sombra

não lembro exatamente de onde tirei esta idéia, mas achei bonitinha a pose dele no último quadrinho.

1 de outubro de 2008

centenária

pois é, eis que estava eu em casa, bordoando com umas canetas superfluosidades em papel quando irrompe em meu quarto minha mãe com uma tábua de madeira e um sorriso que unia as orelhas. não precisei perguntar para que diabos seria aquilo, pois o marcinho já apareceu gritando incoerências desde a porta de casa: 'adivinha o que o vovô pediu para você fazer?!' no que minha mãe me mostrou um bilhete inacreditável no qual constava em azul-safira a palavra centênária escrita em caligrafia oscilante. 'o que é isso?', 'seu avô pediu para que você escrevesse centenária nesta placa, para ele pendurar na árvore lá no sítio'. 'hein?!', 'pois é, ele quer colocar isso pendurado lá, para o aniversário dele'. 'não seria interessante escrever árvore centenária ao invés de somente centenária, eu perguntei a ele quando ele me deu o papel, não, ele me respondeu, não seria óbvio demais ver pendurada em uma árvore uma placa escrito árvore centenária?'. o riso foi incontrolável, mas o pedido foi tão engraçado que decidi fazer a tal da placa, não importava mais já ser para lá das onze da noite. fui para a lavanderia pintar a placa, minha mãe, não por menos, tratou da documentação fotográfica deste acontecimento histórico. até que ficou bonitinha a placa, melhor ainda vai ser vê-la pendurada na tal da árvore com os velhinhos passando embaixo. podia ser óbvio para o meu avô que aquilo é uma árvore, dai não ser necessário repeti-lo na placa, mas salta-nos bastante à vista o fato da tal da árvore ser centenária, pois é simplesmente enorme e muito velha, mas tudo bem. prefiro estes delírios que devem ser algo de projeção, de auto-reconhecimento ou simplesmente identificação com esta árvore que fica mais forte a cada ano que passa aos tormentos de velhice degenerativa. ficou bonito, rapaz!