29 de junho de 2010

tamanduateí 22.04 a 24.06.2010 - filme

video

e eis que achei uma música perfeita para o clima que não tem a avenida do estado, hehe, mas perto do mercadão me senti assim um dia. ainda falta publicar aqui o último desenho, mas como já fiz o vídeo e não consegui me conter, ai está.

tamanduateí 24.06.2010 (I)


peeeenúltimo desenho pronto! eu demorei pra burro para conseguir pegar nele de novo, desde a quinta passada, por conta do relatório do TFG1, que tinha que terminar de qualquer jeito até ontem para o meu orientador ler, avaliar e poder passar a nota pro pessoal do departamento então ler e avaliar. enfim, no relatório até agora estavam só os esboços destes dois últimos desenhos (o último mesmo vou começar agora a tarde), e um já será substituído. gostei deste, mas as janelinhas foram trabalho de chinês escravizado.

28 de junho de 2010

meu fim de mundo 20 - folhateen


tirinha que fiz para o folhateen desta semana, meu momento de pausa do tfg. eu vou começar a mandar para eles uma imagem mais saturada e clara um pouco, porque sai muito escura impressa, sempre, vamos vendo o que acontece na próxima. ai embaixo coloquei o 'original', pelo menos para web.

27 de junho de 2010

o santa maria do meu avô (II)


no tempo do meu avô, além de todos serem bonitos, ainda se vestiam bem e ajudavam a pintar a casa. vale a pena ampliar a foto e tentar adivinhar que diabos são estes objetos aleatórios nas mãos de cada um deles (da esquerda para a direita): 1. um pincel e um pote de alguma coisa, 2. algo indecifrável, 3. um livro de receitas, 4. x, 5. um pinico, 6. nada, mas é um japonês bizarro e usa chapéu, 7. algo também indecifrável, 8. um pássaro, 9. uma brocha e um telefone, 10. (meu avô) uma frasqueira, 11. um embrulho e o temível tonel de pinga em forma de mico-leão, 12. um boneco e outro embrulho.



foto tradicional pelo outro lado, detalhe para o calhambeque puro estilo atrás.


um colega espirituoso, certamente.

26 de junho de 2010

o santa maria do meu avô (I)


já nos anos 50 meu avô ia ao sítio santa maria com os amigos e não podia faltar a foto mais tradicional de todas, na escadinha. alguns exemplos de fotos que já tirei lá também estão aqui, aqui (meu avô aparece nesta foto, inclusive) e aqui, que já me parece o suficiente para entender que ainda gostamos demais deste lugar. estas fotos, aliás, minha mãe trouxe do sítio agora voltando de lá, num álbum que eu nunca tinha visto mas que parece que meu avô organizara alguns anos atrás com uma lógica bizarra para não dizer louca-varrida, mas que até por isso é interessantíssima e tão gostosa de ver. eu vou colocando elas aqui aos poucos, porque me deixaram incrivelmente feliz e só me deram mais vontade de passar uns tempos por lá agora.


esta foto foi tirada numa outra escada que fica à direita do fotógrafo na foto anterior, descendo para a estradinha do lado. mas o legal mesmo desta foto é que está datada, carnaval de 1951, e com a assinatura de alguns dos integrantes, coisa que farei com algumas fotos que tirar daqui em diante! imaginem daqui a uns 50 anos que delícia que vai ser ver um treco desses.

25 de junho de 2010

meu fim de mundo 19


este é um dos esboços para esta tirinha, daqueles que a gente acaba gostando mais do que o original propriamente dito. não que eu goste dele mais em todos os sentidos, mas o esboço do quadro central, ai em cima, ficou muito mais bonito que o definitivo abaixo. mão solta às vezes é o negócio. ah, vale dizer, eu fiz esta tirinha para o folhateen que deve sair na segunda-feira, mas acabei mudando de idéia e fiz outra mais 'jornal' um pouco, menos detalhada, mais expressiva talvez, enfim, mudei de idéia. mas fica esta que gostei bastante também, em homenagem a todos os gatuchos que nem percebem mas aguentam sempre os sabugos que passam pela nossa vida.

24 de junho de 2010

tamanduateí 16.06.2010 (III)


e exatamente uma semana e um dia depois, o desenho 28/30. hoje já fui lá de novo para a última visita, ou seja, já completei os 30 desenhos, ainda que em rascunho, mas já é um bom começo! eu estou deixando umas partes em branco, principalmente nos últimos desenhos, mas este é o primeiro em que a preguiça não é só preguiça, está também justificada, eu queria ressaltar o que venho vendo que acontece com o parque d. pedro, como quem teve o saco de ler nos pedaços do relatório de visitas, um vazio em meio aos equipamentos urbanos 'mais importantes' para nossa cidade pragmática.


e então o pedacito de relatório de hoje (hoje é curto):

Desenho 28:

De cima do viaduto é possível ver bem longe. Eu não quis olhar muito para o outro lado para me concentrar mais neste, no sentido do terminal. Semana que vem desenharei ao contrário, mirando o caminho que tenho traçado desde o começo do ano, visto de cima, meio afastado já. A imagem que tenho é do sol escondido atrás do São Vito, caminhando lentamente e se mostrando de novo, bem alinhado com este trecho do rio, o mercadão polvilhando de gente embaixo, bonito. Mas do Parque D. Pedro II que vejo agora, consigo distinguir poucas coisas de um parque. Há árvores, e concordo que isso já seja alguma coisa em relação à grande maioria do centro da cidade. Há também grama, chão verde, local para se sentar, ficar ‘à vontade’. Há também um rio importante, razoavelmente volumoso, que corta a região. Um terminal de ônibus faz a conexão com diversos pontos da cidade, integrado a uma estação de Metrô também. Próximo estão diversas ruas importantes de comércio, com movimento intenso durante todos os dias, plenas de edifícios e locais de moradia. O enorme mercado Municipal proporciona outro passeio interessante. Mas o que há de errado com este lugar? Por que ele não funciona como deveria?

23 de junho de 2010

tamanduateí 16.06.2010 (II)


com esta história de relatório final do TFG 1, todo o tempo 'livre' que eu teria para terminar os desenhos como de costume está sendo consumido por este treco. hoje eu tive que sentar e desenhar um pouco senão ia acabar apresentando só os croquis no relatório, hehe, ai não adianta.


e agora, para quem tiver fôlego, o tradicional frame do relatório de visita (que está virando meu relatório final);

Desenho 27:
Desenhar novamente a Avenida do Estado seria meio infeliz, o tráfego me deixaria irritado e seria uma pena descartar uma vista como a do Palácio das Indústrias, tão peculiar à região. Decidimos então subir no viaduto do Diário Popular, andando da praça São Vito até o cruzamento da Avenida Mercúrio com a rua do Gasômetro, caminho muito mais agradável de se fazer do que seguir mais alguns metros pela avenida do Estado e então virar à esquerda no corredor polonês que separa o Palácio, atual Museu Catavento, de um trecho de Parque D. Pedro II até o primeiro viaduto da Rangel Pestana. Para trás da Avenida Mercúrio, para mim há uma enorme mancha negra no meu mapa metropolitano mental, é um local com o qual estou pouquíssimo familiarizado, ainda que o grande galpão da casa das Retortas onde será construído o Museu da História de São Paulo tenha despertado minha atenção nas outras vezes que passei por ali.
Subimos então no Diário Popular, meu irmão preferiu a calçada murada do lado direito, o que se aproxima mais do São Vito, enquanto lhe disse que meu objetivo naquele momento seria a calçada oposta, bem mais exposta ao tráfego. No fim ele veio comigo. Caminhamos fazendo a incrível curva por cima do Palácio, nos aproximando do São Vito, vendo o skyline do centro da cidade, um passeio que recomendo a todos, é realmente bonito. Lembrei de uma vez anos atrás em que havia me perdido da forma mais aterradora de carro pelo centro, à noite, e peguei este viaduto justamente, embora não tenha ajudado a me localizar propriamente, a vista quase apagou o nervosismo que sentia no momento.
Chegando sobre o Tamanduateí, concluí que aquele lugar era o que procurava para finalizar o trajeto. Mais, concluí que terminaria o trajeto com uma vista panorâmica, de praticamente 360º daquilo que define o Parque D. Pedro hoje e seus arredores imediatos, desde seu fim indefinido para perto do terminal quanto as descidas do viaduto e os elementos mais marcantes como o Palácio das Indústrias, o São Vito e o Mercadão, tudo estruturado pelo rio Tamanduateí. Este Parque D. Pedro é um enorme vazio do qual a própria cidade parece se defender, e é um ponto que tem me chamado a atenção justamente por conta disso.
O Palácio aparece como uma fortaleza, o São Vito é um castelo tomado, fadado a ser tirado da jogada para ‘salvar’ o restante, enquanto o Mercado Municipal surge como salvação, atraindo uma elite de turistas e gente ‘digna’ de dentro e fora da própria cidade. O Parque D. Pedro é a terra de ninguém, cruzada pelo rio venenoso, que apenas atrapalha a estrada das riquezas, a Avenida do Estado. Lembrei-me de quando, semana passada, estava desenhando na ponte da Avenida Mercúrio e um casal de turistas me perguntou que rio era aquele, e eu respondi prontamente ‘o Tamanduateí’, mas eles pareceram não entender, ou deram pouca atenção, era retórica, pois já emendaram a pergunta seguinte: ‘este é aquele que alaga que é um horror, né?’. Fiquei meio sem saber o que responder, ‘é, é’ lhes disse meio embaraçado.

22 de junho de 2010

pós-jogo do brasil


é, desenhar tem sido um problema ultimamente. tenho que terminar dois desenhos antes de ir fazer os 3 últimos nesta quinta, e ainda entregar a tirinha que sai no folhateen de segunda já na quinta-feira agora, ou seja, loucura loucura se somarmos a isso o relatório final do tfg 1. bom, nada que me impedisse de colocar umas fotinhos por aqui, de domingo agora, logo depois do jogo.



20 de junho de 2010

durante a copa


jogo do brasil? não, obrigado, preferi desenhar na parede. aliás, este 'painel' no hall do elevador de casa estava parado há tempo já, precisava de um upgrade.

o que acharam do novo layout?

melhorou
4 (100%)
preferia o antigo
0 (0%)
continua ruim
0 (0%)
ótemo
0 (0%)
completamente indiferente
0 (0%)


e este foi o resultado da 'sondagem', com resultados de uma profundidade representativa dos contrastes de opinião do mundo moderno. eu copiei descaradamente a idéia do marcinho de fazer estas mini-pesquisas sem-vergonha, mais uma enquete, se formos pensar. o que podemos concluir? até 80% do tempo em que a pesquisa ficou aberta a respostas, o resultado era que não havia votos computados. desta forma, o que eu entendi é que não fazia de fato a menor diferença a alteração do layout do blog para os usuários. mas, pasmem, na sequência, uma surpreendente quantidade de votantes criou este cenário de esmagadora maioria que acreditava numa melhora ante a forma anterior. assim sendo, acredito que tenho 100% de apoio na nova cara do blog. rapaz, pesquisa pode mesmo ser um treco perigoso e dissimulado.

da janela







a sensação de ver estas fotos, de encontrá-las perdidas dentro da máquina depois de não sei quanto tempo, foi muito semelhante a de revelar um filme, daqueles que nem lembramos que tínhamos usado. como uso duas máquinas fotográficas alternadamente, embora ultimamente tenha usado muito mais a M3 do que a Canon, ver estas fotos que foram ficando no cartão foi deciosamente surpreendente. para mim, havia apenas 'fotos de céus', porque agora estamos terminando o outono e os pôres e naseceres do sol têm sido fantásticos; vira-e-mexe eu saio correndo com a máquina e o tripé para fazer umas fotos da janela, ai a coisa perde a graça por um tempo, mas depois faço tudo de novo e assim por diante. rapaz, eu fico nesta fissura pelo filme pb que tenho usado tanto e me esqueço como a cor é um treco maravilhoso.


as fotos estão na ordem inversa da que foram tiradas, da última para a primeira, não sei por quê, mas acabaram assim. estas últimas em idade são de bem pouco tempo, tipo segunda-feira, imagino, e fiquei completamente abismado com este vermelho que me apareceu na tela agora que importei para o computador. no visor da máquina, que não é lá muito fiel (ok, não vamos entrar neste mérito de que visor/monitor/reprodutor virtual de imagem é mais fiel), as fotos pareciam 'laranjinhas' apenas, nada demais. tinha me esquecido que a definição vai além deste mini LCD das câmeras, ainda fiz questão de ver as fotos em tela cheia com fundo preto, o que muda completamente a percepção. aliás, fundo branco deveria ser proibido para ver este tipo de foto, mas isso me faria um assassino colocando elas no blog assim. de qualquer forma, fica por conta de cada um.


esta me surpreendeu especialmente, foi tirada com a tele, 250mm montada no tripé, infernal, porque nem assim parava de tremer, daí a surpresa, fora a cor, o clima meio apocalíptico blade runner, enfim, o ar que respiramos.


18 de junho de 2010

lendas urbanas 18.06.2010


ilustrações para a matéria 'Delírios Urbanos', no caderno Cotidiano 2 da folha desta sexta-feira. eu soube da publicação da matéria, para a qual eu havia feito as ilustrações já há um tempo, algo como um mês, por alguns amigos hoje, por acaso total. sorte, porque deu para comprar o último jornal da banca. quase que me passa batida. a matéria fala justamente de lendas urbanas que correm pela cidade e às vezes acabam chegando à polícia. a primeira ilustração é do vendedor que coloca drogas misturadas às balas e as dá a crianças na porta da escola a fim de viciá-las. a segunda é do carro negro que passa a noite sequestra crianças cujos corpos são encontrados dias depois sem nenhum órgão interno. a terceira é de que haveria uma cobra na piscina de bolinhas dos shoppings, e a quarta de um cara que pica com uma seringa contaminada os usuários do metrô.



tamanduateí 16.06.2010 (I)


primeiro desenho da 8º visita ao tamanduateí, desta vez acompanhado pelo marcinho. não vou falar muito mais porque o relato da visita ai embaixo já está suficientemente gigantesco.


Desenho 26:
Esta semana, excepcionalmente, fui desenhar na quarta-feira dia 16, para que o meu irmão pudesse ir comigo, já que há um bom tempo ele vinha pedindo porque quinta-feira era o único dia da semana impossível para ele. De qualquer forma, fui de manhã, o que significa que nada mudou muito, ainda que o movimento tenha aparentado ser bem menor. Descemos na estação São Bento e saímos pela ladeira Porto Geral, descendo para a 25 de Março e o antigo porto da cidade. Andamos um pouco para a esquerda, viramos à direita e já tínhamos chegado ao mercadão, pelos fundos, completa novidade para mim. O clima que senti nas pessoas era quase infantil, como uma recordação muito clara que às vezes tenho de manhãs calmas em que estamos fazendo alguma coisa diferente do que estamos habituados mas muito boa, quando o sol tem seu valor, o sujeito varrendo a calçada é feliz, os cheiros não incomodam, enfim, bom humor.
O fato de ter companhia talvez tenha me causado esta sensação. Foram 7 visitas muito solitárias, afinal, comparáveis às viagens que já fiz sozinho, em que se pensa e observa tanto, por tanto tempo, sem sequer abrir a boca, que ficamos até cansados sem entender ao certo. Atravessamos o mercado, o marcinho parou para ir no banheiro, como de hábito, e eu esperei um pouco assistindo a um pedaço insignificante de Chile x Honduras no bar do mercado. Saímos em seguida e atravessamos o rio pela ponte da Avenida Mercúrio, chegando à base do São Vito.
Desde a semana passada eu percebera que estavam demolindo tudo ao redor dos edifícios principais. Uma clareira está sendo feita ao redor deles, isolando-os ainda mais, um cerco, eu diria, sitiando esta construção de uma forma tão hostil como poucas vezes vi fazerem com um prédio em especial. Procurando vistas aéreas de cima do São Vito no Google Earth, deparei-me com declarações do tipo ‘vista do edifício São Vito, o prédio mais feio de São Paulo’, e falando disso com o meu irmão constatamos esta dificuldade muito grande que muitas vezes enfrentamos por parte das pessoas de confundirem o estado de conservação de um edifício com suas qualidades propriamente ditas. É certo que o São Vito, vulgo ‘treme-treme’ está longe de ser um edifício ideal, mas sua proposta de pequenos apartamentos justamente onde são necessários é atualíssima. Loucura é a idéia de pô-lo abaixo simplesmente, e não de restaurá-lo transformando em moradia popular na região central, usar como ponto de partida no resgate do Parque D. Pedro.
Sentamos na esquina do São Vito com a Praça São Vito, justamente. Miramos o Viaduto Diário Popular como objeto principal dos desenhos, eu mais preocupado com sua inserção no contexto urbano, as proporções, conflitos e conexões de cada entidade que se desenvolvia neste trecho, enquanto meu irmão se focou diretamente sobre os complexos pilares do viaduto. Eu acho incrivelmente curioso como escolhemos aquilo que decidimos criticar. O viaduto do Diário Popular é um bela obra de engenharia, sem dúvida, posto sobre uma mesa, eu o acharia belíssimo. Até mesmo visto de certa distância, sua curvatura delicada, contornando o Palácio das Indústrias, transpondo o rio Tamanduateí, é atraente. O que o torna complicado, porém, é o lugar que criou por estar onde está. Mas veja, o São Vito é horroroso, ouvimos sempre, mas quem ousa dizer que este viaduto seja tão feio assim? Ninguém. Por que o sistema viário merece esta ‘consideração extra’ antes de ser criticado? O São Vito é considerado horroroso porque está caindo aos pedaços e há pobres morando de forma indigna dentro dele, parece uma favela vertical, é um choque de realidade, é uma concretização de boa parte dos problemas que temos na metrópole, e por isso ele se torna aterrorizantemente feio, enquanto o viaduto, que é bonito, só está feio porque há alguns mendigos ‘que não deveriam estar lá’ morando embaixo. Em que momento da nossa história aprendemos a tolerar uma coisa e não a outra?
E sentados lá, desenhando, estávamos incrivelmente sujeitos aos acontecimentos. Diversas foram as pessoas que passaram e nos deixaram carinhosas palavras de encorajamento, algumas nos pediam para ver, outras olhavam de longe. Eu senti uma diferença, antes era só eu, agora éramos dois, muito mais forte o impacto sobre as pessoas. A pergunta ‘mas o que estão desenhando?’ se manteve tão afiada como sempre, mas eis que me apareceu a grande surpresa, uma senhora, que parou ao meu lado e me perguntou se eu ainda desenharia o São Vito. Eu lhe disse que não neste momento, porque eu já o havia desenhado mais de uma vez, hoje pensando, devem ter sido umas dez, porque estava fazendo este trajeto desde lá de trás até ali. E ela me disse então que desenhasse com muito carinho este prédio porque era muito importante para ela, que, vim a saber mais a frente na conversa, havia sido despejada já há 7 anos. Há 7 anos, portanto, ela morava num outro edifício de nome francês na rua Pagé (provavelmente a rua onde fica a galeria Pagé, a rua Afonso Kherlakian), que dizia ser muito pior que o São Vito, pois lá agora só havia gente desrespeitosa e drogada, enquanto no São Vito havia respeito e mais privacidade. Obviamente devemos ouvir estas palavras sabendo dos laços e vínculos que as pessoas criam com sua história e memórias, de forma a saber pesar as ‘verdades’, mas ainda sim é um depoimento interessante principalmente porque vem diretamente a favor do que eu falava até há pouco.
Ela ainda disse que participou dos movimentos, que a sua bolsa habitação acabaria este ano e que alguém bem próximo, um homem, morrera mas eu não consegui entender bem quem era. O fato de chamarem o prédio de treme-treme para ela era certa injustiça, mas ainda sim ela disse que isso era o de menos porque as pessoas dão seus apelidos às coisas, ‘eu mesma, por exemplo, outro dia fui contar e descobri que tenhos 80 apelidos diferentes; zita, zinha, rita tia…’. Mas o que me deixaria feliz mesmo era que a Usp, o Mackenzie, o Senac, qualquer um destes ficasse com este prédio e enchesse de jovens de novo este lugar, isso sim me deixaria alegre, ver a mocidade usando este lugar que foi tão importante para mim’. Depois disso eu cheguei a vislumbrar esta grandeza neste lugar, e terminei o desenho feliz, apesar do vento frio.
O tráfego que no momento em que nos sentamos parecia tranquilo, depois de alguns minutos tecnicamente impossibilitou a vista do que estava atrás, principalmente por conta de caminhões de todas as possíveis alturas, em alguns casos tampando toda a visão, inclusive dos prédios mais altos atrás. Então, neste sentido, o desenho de apressou um pouco na medida em que tinha que resolver de forma avoada a topografia, a volumetria das construções e me manter minimamente fiel ao que via dali.

16 de junho de 2010

tamanduateí 10.06.2010 (III)


desenho que eu estava devendo da semana passada ainda. esta semana fui na quarta desenhar para que o meu irmão pudesse ir também, já que 'quinta-feira é o único dia que eu não posso'. de qualquer forma, este aqui foi feito enquanto eu conversava com um técnico da saisp que instalava uma estação de medição do nível das águas, etc, lá na ponte da avenida mercúrio.


e agora o tradicional recorte do relatório de visita:

Desenho 25:
Já do outro lado da ponte da Avenida Mercúrio, o viaduto do Diário popular contracena de forma interessantíssima com a vegetação surpreendente do parque D. Pedro que se vê apenas ao seu redor. Todo o skyline que parecia justaposto às construções em primeiro plano na verdade se encontra afastado pelo parque, que hoje serve de dormitório de mendigos e conexão entre estruturas diversas de transporte; um não-lugar. O parque D. Pedro, ao contrário, tem um maravilhoso potencial para virar um Central Park da vida, respiro fundamental da cidade de Nova York. Mas ninguém se deu conta disso, pelo menos ninguém com poder de fazer alguma coisa.
Chega a ser ridículo olhar o desequilíbrio compositivo deste desenho, o tráfego todo espremido na margem direita do rio, sem vista inclusive para ele, enquanto do lado direito este enorme campo verde de respiro se abre no coração da cidade, cortado por não sei quantas avenidas e ruas com extremos opostos de intensidade de circulação.
Nesta curva do rio, há uma quantidade assombrosa de material acumulado na margem direita, a margem de deposição de sedimentos. Já na outra margem, um pequeno jorro de água perpendicular ao rio, cai fazendo barulho e espuma na água turva, aliás, de uma cor que não sei nem descrever.

15 de junho de 2010

capa da ilustrada 15.06.2010


ilustração para a matéria 'arte enferma' que saiu hoje na ilustrada. abaixo a imagem conforme escaneada por mim, sem escritos e tal, meio 'pelada' sem texto, já que tinha uma janela esperando justamente o título da matéria.

14 de junho de 2010

tamanduateí 10.06.2010 (II)


segundo desenho (24/25) da sétima visita ao tamanduateí. hoje eu tentei trabalhar, mas como estava difícil, em casa, resolvi desenhar, mas como estava difícil, resolvi trabalhar, mas como estava difícil, resolvi terminar o desenho, mas como estava difícil, larguei, então pronto.


ai embaixo coloquei mais um trecho do meu proto-relatório final.

Desenho 24:
Virando novamente em direção ao centro, ou ao parque Dom Pedro II, me deparei com a súbita proximidade do mercadão. ‘Pronto’, pensei, ‘é agora que tenho que encarar o desenho deste troço todo’. Sentei sobre a amurada, então e virei o desenho de forma meio oblícua ao canal, coisa que fiz poucas vezes até agora, mas que só depois de vinte e tantos desenhos é que me senti mais confiante a fazê-lo. Este é um lugar peculiar. O mercado Municipal é aquilo que o Aldo Rossi chamaria de um ‘fato urbano’. Ele cria, modifica, é o espaço a sua volta. Por mais que tenha perdido sua função original de centralizar a distribuição das mercadorias na cidade para o Ceasa, mantém uma vida ainda fortíssima em torno de si. Sua presença arquitetônica é outra questão que vale mencionar, pois o projeto de Ramos de Azevedo atrai hoje uma porção enorme de turistas, inclusive paulistanos, como pretexto de passear pela própria cidade. Ele sobreviveu ao Diário Popular e à morte do São Vito, à Avenida do Estado e ao ex-parque D. Pedro II. Está certo que o turismo ‘descaracteriza’, assim dizendo, as funções e atividades que tomam parte de um lugar, mas ainda sim ele de certa forma acontece por causa deste lugar, então é parte dele também.
Novamente há uma riqueza inexperada na quantidade de pessoas passando. O movimento de automóveis e caminhões, por outro lado, pode deixar qualquer um maluco, mas parece haver um cuidado das pessoas pelo lugar, é uma sensação difícil de explicar, mas é tão simples quanto pensar que antes eu estava em lugares que eu mesmo achava dificuldade em descrever e localizar, mas agora estamos ‘próximos do mercadão’. Percebe? Há uma identidade, que é o principal fator na criação de um nome e de um lugar, neste contexto em que estamos tratando justamente de lugares entendidos como não-lugares, pedaços de espaço sacrificados por conta de uma funcionalidade ou necessidade aparentemente maior que a dele em si, mas que não dizem necessariamente respeito a ele. A ninguém interessa onde exatamente passa a avenida do estado, ou que ao lado dela está o rio Tamanduateí, mas sim que ela leva do ABC à marginal Tietê, à zona Norte, cruza a cidade de cabo a rabo, mas não é um lugar. Não chamamos uma Avenida de lugar, mas sim de passagem, é uma compreensão diferente do tempo.
A cor bege e a ausência de pichações numa área deste tamanho chama a atenção, há um cuidado ao redor do mercado. A pichação ‘mutant’ em azul na ponte da Avenida Mercúrio me fez pensar nesta condição do homem que vive na cidade grande, e fiquei imaginando como seria morar num lugar como este, restaurar o São Vito mas ao invés de fazer uma nova sala são paulo, exemplo máximo de discrepância entre a cracolândia do lado de fora e a incrível estrutura para a elite da cidade, com um restaurante-mirante (que apesar da idéia ser fenomenal, porque a vista deve ser estonteante), propor uma exemplo de habitação social concreto, no centro. É injusto um edifício deste tamanho estar nesta condição enquanto muito provavelmente a grande maioria dos trabalhadores da zona cerealista mora ou em cortiços ou em algum ponto incrivelmente distante do local de trabalho.

13 de junho de 2010

fovest 09.06.2010

tem algumas coisas engraçadas de se trabalhar com ilustração; você corre o risco de mandar uma coisa e ver outra depois. não que eu tenha achado ruim, longe disso, só achei inusitado ver meu desenho com cores bem diferentes do meu usual. agora, eu concordo que o texto tinha ficado numa posição para a diagramação da ilustração, eu já tinha jogado fora algumas horas com desenhos que não deram certo e apelei para uma composição que já tinha feito uns dois anos atrás. a sala de aula não estava nos planos, muito menos as janelas... daí a estranheza.

maratona 02.05.2010


estas fotos foram tiradas muito provavelmente no dia 2 de maio deste ano, quando uma maratona fechou toda a avenida pedroso de moraes, praça panamericana e ponto cidade universitária. saímos então eu, minha mãe e a maíra para passear no domingão de sol.


cabeceira da ponte cidade universitária


rio pinheiros sentido tietê (há uma capivara no banco de areia bem no meio).


a mairinha estava tirando esta foto aqui neste momento.


havia um milhão destes copinhos de água da sabesp pelas ruas, quando batia o vento, fazia um barulho de deserto bem bacana, dos copinhos se arrastando pelo chão.


avenida pedroso de moraes.


maíra e a minha mãe no canteiro central, ainda não acreditando na chance de andar pela rua.


ponte cidade universitária, uma tremenda de uma praça, pelo menos podia ser.


adutora.


olha a puliça!