28 de fevereiro de 2011

mini-quero-quero

Eu ia correr no final da tarde, esta minha praga de hábito, pela praia, corria até onde aguentasse, o que era um problema, porque depois precisava voltar tuuuudo mais cansado ainda; quem corre sabe, imagino, que correr demais dá até dor de barriga. A areia, para este lado da praia, o vazio, tinha uma característica especialmente irritante que era a de não oferecer NENHUMA resistência até que seu tornozelo estivesse também enfiado na areia, ou seja, não corria, pulava, isso com uma inclinação bastante grande para uma praia e por quilometros a fio. Mas tinha desses passarinhos miúdos que ficavam comendo os bichinhos que a onda traz, parecem uns mini-quero-queros, mas mais bonitinhos. Eles iam avançando comigo enquanto eu corria, voando baixinho, dando a volta por cima do espelho d'água e pousando alguns metros a frente, no tempo exato para que eu os alcançasse em seguida, como se fazendo isso fossem em algum momento ficar livres de mim.

bixarada - folhateen 28.02.2011

Tirinha publicada hoje, dia 28.02.2011 no Folhateen, caderno da Folha de São Paulo. A idéia é meio nostálgica, lembrando dos meus tempos de bixo e de como o trote foi um troço bacana. Fico imaginando se tivesse sido uma experiência ruim, como acontece toooodos os anos em algum canto, sempre tem infeliz de veterano tendo idéia errada. Enfim, tinha que ser uma coisa legal, sempre.

lagoinha

Havia esta pequena lagoinha que o mar alimentava de pouco em pouco, que era boa de andar passando por dentro, pisando na areia molhada que afundava passando entre os dedos do pé.

27 de fevereiro de 2011

teaser para o lançamento do setedoses 2011

Este ano passarei a participar de um site chamado Setedoses. A idéia é que cada um dos colaboradores, agora 28, se revezem em posts quinzenais sobre diversos assuntos. Minha participação, como era de se esperar, será com ilustrações. Este desenho ai em cima é um quadro da tirinha que fiz para a estréia, que acontecerá dia 01 de março, terça-feira.

tapete de nuvens

Estas duas fotos foram as duas primeiras tiradas com o filme infravermelho da Rollei que estava estreando na viagem. Como ele é um filme 400, tirei algumas fotos fotometrando ele como tal, o que resultava em uma exposição muito menor já que o filtro que temos que usar com estes filmes tira de 18 a 20 pontos de luminosidade da foto. Fiquei muito na dúvida do que fazer, confesso, lá não tinha internet para checar, então arrisquei baixar o iso para 6, o mínimo que meu fotômetro comporta. As fotos de praia até ficaram boas, mas no geral isso levou a superexposição da maioria dos negativos. Depois vim a saber que o recomendado para um outro filme, que estou terminando agora, o da Efke, é 25, então talvez seja num meio termo que encontre a melhor referência, vamos ver, tenho que pesquisar mais um pouco também. Outra coisa curiosa é que o infinito tem foco diferente no 'mundo' infravermelho. Uma das minhas lentes até tem uma indicação de infravermelho mas não entendi exatamente o que deveria mexer para certar o foco, interpretei como 'focar no infinito e voltar um pouquinho'.

26 de fevereiro de 2011

algodão doce

Estas duas são as últimas deste nascer do sol, mas voltadas para o lado contrário, a favor da luz. Muitas vezes a paisagem mais bonita não está necessariamente no entorno imediato do sol.

céu passante

Ontem, à noite, segundos antes de ir dormir, olhei pela janela e vi um céu de uma limpeza que nunca esperaria em São Paulo. Corri pegar a máquina, digital, que devia fazer alguns meses que não usava, e tirei umas fotos rápidas. Mesmo sem chover, havia uma nitidez incrível na vista, profundidade sem embaçar o que estava mais longe, sabe? Nas fotos fica tudo um pouquinho tremido porque, mesmo com o tripé, estava ventando e era impossível impedir alguma trepidação na longa exposição.

25 de fevereiro de 2011

terra do sol nascente




E não é que a antiga bandeira do Japão tinha fundamento real?!

diagonal

Este é um efeito bem maluco que a foto tomou, com certeza eu não estava enxergando muito bem na hora que tirei a foto, estava ventando bastante, era cedo e o tripé devia estar meio torto na areia, mas o mar com esta forma de cunha, lisinho lisinho por causa dos 30 segundos de exposição, em contraposição ao céu de pipoca me agradou muito.

24 de fevereiro de 2011

Coqueirais

Como eu disse num post há um tempinho, além de hoteis, estilo 'ilha da fantasia', nesta praia em que ficamos havia um pequeno mangue entre o último hotel e esta enoooorme fazenda de coqueiros que vinha na sequência. Estávamos andando, eu e minha mãe, pela beirada dela quando começou a anoitecer, era bonito, mas logo ficou escuro demais para o Velvia sem tripé.

tudo roxo e rosa, um pouquinho de azul

Final de tarde na praia do Bávaro. Eu já sabia que as fotos sairiam subexpostas, com o iso 50 do Velvia só com tripé, que eu não levava no momento porque estávamos caminhando na praia e a própria máquina já poderia ser considerada um estorvo quando tudo o que se está usando é uma sunga. Talvez nas ampliações óticas seja possível expor mais os negativos evitando as aberrações que a digitalização faz, não sei, conjectura. No PB funciona mais ou menos assim, mas nunca ampliei negativos coloridos.


23 de fevereiro de 2011

teaser folhateen 28.02.2011

Só para o pessoal tentar adivinhar do que se trata.

espelho

Na foto nem parece que fedia e era beeeem suja e duvidosamente transparente, tipo missoshiro que já faz um tempinho desde que você deu aquela misturada, sabe?

22 de fevereiro de 2011

terra-arrasada

Ficamos num hotelzão lá na República Dominicana que era o melhor do estilo 'terra-arrasada'. Aposto que passaram aqueles Bulldozers com correntes entre eles pondo abaixo tudo o que havia lá, no caso esta mistura de coqueirais e mangues. Este trechinho foi o que encontramos entre um hotel e uma fazenda de coqueiros, solitário, encurralado.

escalonamento

Um coisa bacana mas que também enche o saco desta lente Voightlander 15mm que usei para a grande maioria destas fotos mais panorâmicas é este efeito circular de luminosidade que fica nas fotos, escurecendo em direção às bordas. Eu já tinha lido a respeito nos comentários sobre a lente nos sites que consultei, mas eles falavam principalmente de quando se a usava numa M9, que (infelizmente) não era o meu caso. Ainda sim, este 'problema' muitas vezes colabora com a foto, dando um aspecto pinhole ou simplesmente interessante à composição, sem contar que, com a exposição mais correta do negativo, quase que desaparece.

21 de fevereiro de 2011

croquis do mascarado

Ontem à noite comecei a rabiscar umas coisinhas, reparei que fazia um absurdo de tempo desde que desenhava espontaneamente alguma coisa, mais que isso, alguma coisa que não fosse arquitetura. Fiquei bem irritado porque estava mal-treinado, não me saiu nada ontem, as mãos que estive tão habituado a desenhar pareciam umas uvas maltrapilhas. Estava chateado hoje. Ai agora há pouco, vendo meu calendário, vi que tenho que fazer uma tirinha para sexta-feira, (o folhateen da segunda) e pensar no meu trabalho de estréia no site do Setedoses, que entra no ar dia primeiro de março, de forma que passei o final da tarde rabiscando idéias, difícil, impressionante como estas coisas ficam mais fáceis quanto mais fazemos. Bem, fica ai um croquizitos do que virá a ser este próximo Folhateen.

ordinário: rafael sica

Esta sexta fui no lançamento do livro 'Ordinário' do Rafael Sica. Desde que descobri o blog dele uns anos atrás, acompanho quase que diariamente o trabalho do cara, que é fodido demais. No lançamento, quem costuma mais ou menos frequentar lançamentos de HQs deve bem saber, são geralmente meio sacais, cheguei depois de umas cervejinhas porque a luz tinha acabado no escritório e então meio que encerramos o expediente mais cedo. Desci lá com o Yuri e achamos o troço meio vazio até. Nunca tinha visto a cara do Sica, mas só tinha um careta assinando uns livros meio escostadinho no bar. Cheguei lá, comprei meu exemplar e já fui direto trocar uma idéia com ele. Me apresentei (ai as cervejinhas deram uma força) falei do meu trabalho e tal, que ele disse conhecer (!) e pedi o meu autógrafo. Só que, já tinha dado uma folheada no livro, e não encontrei a minha tira preferida dele, 'Monga, a mulher Monga', de forma que insisti que ele me desenhasse a tal da monga para mim. Dito e feito. Prazer Sica, e fuerza no trampo.

velvia 50

Estas fotos já são de outro rolo de filme, um Velvia 50 que queria há um bom tempo usar. O que saquei do Velvia foi que, nas fotos que acertei bem a exposição e fiz tudo direitinho, a qualidade ficou absurda e provavelmente as ampliações das fotos ficariam muito boas. Está certo que escaneando perco alguma coisa, mas ainda sim fiquei bem satisfeito. A pena foi que perdi muitas fotos do rolo, a grande maioria subexposta. Com iso 50 ou se usa tripé ou tem MUITA luz, ponto final. Mas valeu a experiência e ficou a lição.

20 de fevereiro de 2011

nosso camisa 10

E, se continuarmos mais um pouco com a história anterior, ESTE é o coqueiro que servia de palco para a outra moda de piriguetagem, a qual, infelizmente, não tive a oportunidade de registrar. Mas fica fácil imaginar; pense numas gordas de meia-idade arrebitando o cofre ali na base do coqueiro enquanto (sim, mesmo enquanto meu primo estava lá em cima) para serem fotografadas pelos parceiros ou, na pior situação que presenciei, pelas filhas.

18 de fevereiro de 2011

piriguetagem

Lá na República Dominicana, pelo menos na praia em que estávamos, tinha desta moda de piriguetagem. As moças (senhoras, meninas, jovens, velhas, bonitas, feias, bichas, o que fosse) se sentiam na maior das normalidades fazendo estas poses de quem quer arranjar marido. Esta polaca, pressumomos que fosse alguma coisa assim porque não pudemos identificar uma letra sequer do que ela comentava com uma amiga e com o aparente namorado, que tirava as fotos, apareceu alguns dias assim, toda maquiada e produzida, deitava no meio da areia, rolava com as ondas, tomava caldo, subia em coqueiro (tinha um coqueiro inclinado, quase horizontal onde brincávamos de se equilibrar com meu primo pequeno) então estas 'garoutas' de TODAS as idades, acreditem em mim, faziam as poses mais inacreditáveis para fotos que muito provavelmente foram parar em facebooks e portifólios diversos. Vergonha alheia. Depois ainda falamos mal da moçada que tira umas fotinhos inocentes nas praias daqui para botar no orkut. Hesitei muito antes de fotografar um destas cenas, achei que pudessem não gostar, mas acabei percebendo que nem ligavam, pelo contrário, estavam lá para isso, chamar atenção, o que fosse. Parecia uma missão a se cumprir, com direito a trocas de roupa, caras e bocas, poses e risadas. Imagino que estivessem se divertindo, mas meu, convenhamos, foda.

as menina

A gente estava esperando para fazer alguma coisa, não lembro bem o quê. O ponto de encontro era na entrada da praia, onde já tinha a fantástica brisa marítima.


17 de fevereiro de 2011

sobe no coqueiro

Nosso guia, 'Tiago sem H', como ele fazia questão de frisar, era um daqueles negões (no bom sentido, claro) de dar inveja. Preto preto preto preto preto, tão preto que era praticamente azul, não muito alto mas devia pesar facilmente uns 100 quilos. De branco ali só os dentes e o cantos dos olhos, talvez as palmas da mão e do pé também. A coisa mais impressionante, aliás, eram os pés, duas batatas enormes, em nada parecidos com nossas patinhas urbanas. Eram redondos, quase tão largos quanto compridos com uma sola tão curva como o próprio barco. Duvido que haja sapato normal de mercado que lhe sirva os pés. Não que ele precise, pelo jeito nunca usou um sapato na vida, mas ainda sim me perguntei. Conduzia o barco de madeira com motor de popa na maciota, suave. Subia nas ondas certinho, mesmo quando jurássemos que fosse para capotar o barco, descia leve, virava assim ou assado, como se fossem a mesma coisa, era impressionante. Mas ficamos de queixo caído quando este cara nos fez descer na tal da praia deserta, avisando sobre os haitianos e tal, e então nos perguntando se estávamos com sede. Não entendemos exatamente mas ele insistiu perguntando se queríamos água de coco. Bem, as mãos quase que instintivamente foram às bolsas, pensando nos trocados e vendedores de coco. Nosso guia então trepou no coqueiro mais próximo, que devia ter bons 15 metros até a copa, subiu-lhe rapidinho como se fosse quebrá-lo ao meio com o corpo arqueado entre as mãos que puxavam contra as pernas que empurravam. Chegando lá em cima se pendurou nas folhas, qual macaco (sem nenhuma insinuação pejorativa, um elogio, isso sim), balançando intensamente até pôr os pés mais alto que a cabeça em chutes que fariam os cocos simplesmente desistirem de se pendurarem lá também. Não parando ai, ele desceu ainda mais rápido, quebrou uma folha do coqueiro no meio, ficando só com a ponta do talo na mão, e, feito lança, fincou-a no olho do coco abrindo-o num só golpe. Bebemos (quer dizer, praticamente babamos) a água toda e então o cara ainda me pega uma pedra gigantesca e parte a porra do coco ao meio, arrancando a carne dura com as unhas e dando para os branquelos boquiabertos comerem. Acho que um cara destes nunca deixou de receber por um passeio.

cataclisma

Croquis de uma ilustração para sair num caderno comemorativo de 90 anos da Folha mas que foi cancelada. A idéia era mostrar a cidade de São Paulo daqui a 90 anos, uma simbiose causada pela nova condição geográfica e as antigas construções ou cara da cidade que conhecemos. Ainda ia desenvolver o tema, a composição, etc, estava até animado, mas toda a seção de ilustrações e textos com este tema foi reduzida e remanejada, de forma que caí fora, uma pena.

16 de fevereiro de 2011

os vizinhos

Estas duas fotos foram tiradas numa ponta da praia que ainda era deserta, preservada, embora viéssemos a saber que o terreno todo já havia sido vendido por alguns milhões de euros. O engraçado (para não dizer trágico) desta visita foi a advertência do nosso inacreditável guia - o motivo da incredulidade eu conto no próximo post - que recomendava que ficássemos todos juntos pois ali, nos recantos desertos da república dominicana, há sempre a possibilidade de haitianos desesperados estarem escondidos. Só agora, ao escrever isso percebo quão absurda era a situação, para não lembrar de toda a questão haitiana. Lá não se falava muito dos vizinhos desafortunados, principalmente na 'disneylândia em que estávamos', embora os encontrássemos no dia seguinte cortando cana e falando numa forma cantada lindíssima, daquelas que dá vontade de ficar ouvindo.

15 de fevereiro de 2011

dando a luz

Estas fotos ainda são deste primeiro evento 'esperar o sol nascer', mas do momento imediatamente depois, ou durante o acontecimento. Dá para reparar, em uma ou mais destas fotos, uma pequena mancha que parece de óleo ou sabão. São da revelação, aparecem em algumas outras inclusive de outros filmes. Não sei se algum de vocês já viu algo parecido, vejam no centro da quarta foto. Já falei no Capovilla e devo levar o filme algum dia destes para conversar com o técnico da revelação. O mesmo vale para a risca atravessando a terceira e a sexta foto, embora estas eu ache que sejam resultado do meu escaneamento meio mal-feito.





tocaia para ver o sol nascer

Nesta viagem tínhamos a vantagem do fuso. Estávamos duas horas atrás de São Paulo, então era muito fácil acordar cedo. E como lá ainda era inverno, o sol nascia praticamente às 9h daqui! Era moleza ir para a praia cedinho ver o sol nascer, e arrastei minha mãe duas ou três vezes para vê-lo, sendo que estas fotos aqui são desta primeira vez, que tinha pouquíssimas nuvens no céu então acabou sendo uma cena mais clean. Até por isso que tentei mais uma vez, na esperança que houvesse mais nuvens e a composição ficasse mais colorida e interessante.